Há um tempo atrás, entre os anos de 2021 e 2024 eu comecei a refletir sobre a importância de nossa atividade mental - principalmente aquelas que não expressamos, seja por conversas, emoções ou qualquer meio. Pensei e fui entendendo um pouco sobre a importância dos pensamentos, sentimentos, intenções, desejos, medos etc.
Estas diferentes manifestações pertencem todas ao nosso psiquismo, que alguns chamam de mente, outros de alma, espírito, cérebro e outras partes do sistema nervoso. Não pretendo discutir cosmovisões ou visões do que é o ser humano aqui... Mas sempre me pautarei pela universalidade e por isso, pela visão mais ampla de ser humano.
Nosso psiquismo possuindo uma unidade, indica que todas as atividades mencionadas acima tem ou deveriam ter alguma coerência entre si... afinal temos uma identidade - somos alguém; com gostos, opiniões, esperança, costumes etc. Mesmo que estes elementos mudem pouco ou muito no decorrer de nossas experiências de vida.
O que passou a me incomodar foi a seguinte questão: O quanto nós escondemos dos outros? O quanto fingimos gostar de certas coisas, tolerar outras... O quanto criamos de expectativas sobre as pessoas que nos cercam... ou até mesmo sobre uma sociedade, ou sobre a humanidade? E mesmo se não criamos expectativas, o que fazemos de nossa atividade mental? O quanto pensamos no passado? Ou o quanto pensamos no futuro, sendo cautelosos demais, avarentos ou paranoicos? Ou o quanto vivemos só o presente, correndo o risco de ser inconsequentes? Nota-se que não há um único modo de pensar e erros podem ser cometidos das mais variadas maneiras. Errar é bom ou mau? Até que ponto é saudável errar? O quanto precisamos acertar em nossas escolhas? Enfim, estes questionamentos podem parecer devaneios, mas é uma mera tentativa de mostrar a vasta amplitude da psiquê humana... seja esta amplitude um potencial nosso, ou uma complexidade dúbia.
Apesar de passar a refletir mais sobre este tema desde 2021, meus questionamentos sobre os pensamentos e sentimentos não expressos nas relações humanas começaram por causa de algumas variadas situações que vivi desde 2017 até este ano de 2026. Talvez até desde uns poucos anos antes.
Em 2021 eles se intensificaram por causa de um fenômeno estranho que ocorreu comigo durante várias noites: Após diminuir e/ ou mudar meus problemas com que eu entendi por mediunidade, eu passei cerca de um ano sem dormir - Na verdade neste período que cobriu por volta de janeiro de 2021 até maio ou junho de 2022 eu tinha noites de repouso melhores do que nos 2 anos anteriores (2019 e 2020), mas isto não significava que eu dormia como a maioria das pessoas dormem. Eu deitava, e quando não aguentava mais de cansaço, sentia minha psiquê, seja ela "mente" ou alma, sair do corpo. Esta é a descrição mais precisa que consigo dar - as experiências eram mais reais do que as que eu tinha em vigília. Não é lógico abordar este assunto afirmando que há coisas que existem e que não existem. Então o que resta é considerar que meu corpo, os demais corpos e o espaço-tempo existem, mas são menos reais do que as psiquês. Continuando este relato, em geral, durante estas experiências eu não via nada - certamente por que não havia nada para ver, pois se tratava de uma realidade adimensional ou não-espacial, onde eu sentia outras psiquês interagirem comigo. Outro ponto curioso destas experiências é que às vezes eu identificava com precisão, ou simplesmente sabia, com quem eu estava interagindo. Não se trata de nada como "poderes paranormais", pois isto soa brega e impreciso como a ideia de "super poderes". Não sei por que estas coisas aconteceram, embora eu pensei ou imaginei algumas causas, são só especulações. O que eu sei é que não aconteceu todas as noites, mas ainda assim, aconteceu em várias.
Desde o final de 2019 venho tentando anotar o que aconteceu comigo, principalmente às noites. Estes fenômenos que entendo como mediúnicos (por estarem no meio da realidade em que vivo no espaço-tempo e uma vasta e pouco explorada realidade psíquica ou espiritual hiper real) pareceram o que algumas pessoas chamam de "projeção astral". Eu me senti melhor do que nos 2 anos anteriores em parte por que as experiências intimidantes (que alguns espíritas e umbandistas chamam de obsessão) perderam força sendo substituídas por estas discussões psíquicas de mente para mente. E como eu reconheci algumas destas mentes nestas experiências noturnas, eu passei a refletir o porque as pessoas escondem tantas coisas umas das outras. As discussões psíquicas eram em sua maioria inconclusivas e pouco harmoniosas: Ao menos as que eu me lembro que tive com uma ou outra psiquê "identificadas" eram sobre pontos de vista diferentes - talvez até opostos. Sem concórdia e com muita insistência/ repetição ao longo de dezenas ou centenas de noites.
As experiências foram diminuindo a partir do 2º semestre de 2022, mas não cessaram. Ocasionalmente senti psiquês direcionando sentimentos horríveis para mim - intensificados pelo fato de não serem expressos por emoções dos corpos, como gritos, semblantes irados, sorrisos sarcásticos ou maliciosos - tudo diretamente invadindo minha psiquê. Devo agradecer a Deus (ou aos bons espíritos) por isso não ser uma constante, pois também tive algumas poucas experiências com psiquês boas... e estas são as mais impressionantes pelo fato de serem mais reais do que as experiências mencionadas anteriormente... que eram mais reais do que a realidade corporal!
Sim, a maneira mais precisa para descrever tais ocorrências é classificar experiências como mais reais ou menos reais, e não como "existe ou não-existe", como já mencionei.
Algumas das psiquês que denominei como boas aqui eram tão reais que pareciam por uma fração de segundo fazer o espaço minguar ou desmanchar-se diante sua manifestação. O que me fez refletir: se estes seres ou psiquês tão benevolentes, sinceros, humildes (etc) são mais reais que o espaço-tempo e os seres da Terra... O quão o ser humano é literalmente falso?
Bom, o ser humano não é falso no sentido de existir e interagir com o planeta onde vive (etc). Mas eu entendo o corpo como a parte mais falsa do ser humano... e ele está conectado com a mais real: a psiquê. Como esta conexão ocorre eu não sei. René Descartes iniciou uma discussão sobre tal tema no século 17 (que não foi bem recebida nem teve grandes resultados ao meu ver). Kardec teorizou alguns argumentos sobre o mesmo tema no século 19... Mas não parece haver avanços significativos para se investigar a relação "mente-corpo". As religiões se baseiam em dogmas, e muitas vezes, em argumentos arcaicos e nada esclarecedores; Grande parte da filosofia moderna ignora tal tema. E por outro lado a maior parte dos cientistas simplesmente nega de variadas formas a existência da alma, do espírito etc...
Independentemente da pequenez do corpo diante a psiquê, me parece que a maioria dos seres humanos vive não só refletindo pouco sobre si mesmo, mas também sendo pouco sinceros uns com os outros. E não, não me refiro somente ao relacionamento entre casais. Irmãos, amigos de longos anos, pais e filhos, colegas de estudo, de trabalho e de outras atividades, também escondem, mentem e distorcem fatos sobre os outros, massageando o próprio ego.
Mesmo depois de 2022, quando passei a ter pouquíssimas destas "discussões psíquicas" e/ ou "projeções astrais", me ficou claro por variados motivos que muitas pessoas vivem insistindo em suas estreitas opiniões: sejam elas opiniões sociais e econômicas (políticas), visões de ser humano ou de realidade. Objetificam o ser humano, pensam mal de outras pessoas, ou vivem tentando bajular algumas pessoas próximas.
Eu errei muito em minha vida e o que eu chamo de erros são faltas morais e éticas. Fui preconceituoso, interesseiro, contraditório por anos e talvez ainda cometa alguns erros, mas me esforço em deixar meus "podres" para trás. No meu caso é um dever, depois de passar pelas experiências boas entre tantas ruins que tive neste período de "mediunidade aflorada" de 2019 a 2022 ou 2023.
Não deveria ser difícil, ser menos falso e/ ou menos preconceituoso: eu me lembro de minha infância e também me lembro das crianças que atendi ao trabalhar numa clínica para tratamento de Transtorno do Espectro Autista: a infância é um período praticamente sem preconceito. E mesmo quando a criança mente, geralmente são mentiras tolas e inofensivas, pois ela está em processo de desenvolvimento. Quando normalizamos mentiras, omissões e preconceitos? O quanto isto faz mal e o quanto pode nos adoecer psicoemocionalmente com o passar do tempo? O corpo passa por mudanças constantes do nascimento até a morte. E a mente / alma das pessoas? Está mudando para melhor ou está estagnando? Está torturando a si mesma? Ou aos próximos? O quanto precisamos não só refletir sobre nós e nossas relações, mas também pausar e meditar para mudar a nós mesmos?
Este texto é uma reflexão humilde em tom de desabafo... até que eu consiga escrever mais sobre o tema.
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