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Quem foi o filósofo Sócrates?

Sócrates não deixou obra escrita, pois viveu praticando somente a tradição oral. Relatos sobre o filósofo foram registrados por Xenofonte, Aristófanes e Platão. Os registros não têm informações sobre toda a vida de Sócrates, mas são suficientes: Xenofonte foi um discípulo do filósofo, mas centrou suas obras em temas militares e da história. Aristófanes foi um dramaturgo cômico, crítico e conservador que mostrou-se contrário as ideias de Sócrates. Por fim, Platão foi o "discípulo" de Sócrates que mais inspirou-se neste, registrando parte significante de seus diálogos.

Porém o foco deste texto não trata de um levantamento histórico feito a partir de variadas fontes comparadas entre si: é só um dos relatos, que de acordo com Platão, em sua obra O Banquete, foi feito pelo general ateniense Alcibíades: 

Alcibíades e Sócrates, por François-André Vincent (1746-1816)

"Bem sabia eu, com efeito, que era ele (Sócrates) de qualquer modo muito mais invulnerável ao dinheiro do que Ájax ao ferro, e na única coisa em que eu imaginava ele se deixaria prender, ei-lo que me havia escapado. Embaraçava-me então, e escravizado pelo homem como ninguém mais por nenhum outro, eu perambulava à toa. Tudo isso tinha-se sucedido anteriormente;

Depois, ocorreu-nos fazer em comum uma expedição em Potidéia (parte de uma guerra de Corinto contra Atenas entre 432 a.C. e 430 a.C.), e éramos ali companheiros de mesa.

Antes de tudo, nas fadigas, não só a mim me superava mas a todos os outros - quando isolados em algum ponto, como é comum numa expedição, éramos forçados a jejuar, nada eram os outros para resistir - e por outro lado nas fartas refeições, era o único a ser capaz de aproveitá-las em tudo mais, sobretudo quando, embora se recusasse, era forçado a beber, que a todos vencia; e o que é mais espantoso de tudo é que Sócrates embriagado nenhum homem há que o tenha visto. E disso, parece-me, logo teremos a prova.

Também quanto à resistência ao inverno - terríveis são os invernos ali (em Potidéia, na Trácia) - entre outras façanhas extraordinárias que fazia, uma vez, durante uma geada das mais terríveis, quando todos ou evitavam sair ou, se alguém saía, era envolto em quanta roupagem estranha, e amarrados os pés em feltros e peles de carneiro, este homem, em tais circunstâncias, saía com um manta do mesmo tipo que antes costumava trazer, e descalço sobre o gelo marchava mais à vontade que os outros calçados, enquanto que os soldados o olhavam de soslaio, como se o suspeitassem de estar troçando deles. Quanto a estes fatos, ei-los aí: 

mas também o seguinte, como o fez e suportou um bravo lá na expedição, certa vez, merece ser ouvido. Concentrado numa reflexão, logo se detivera desde a madrugada a examinar uma idéia, e como esta não lhe vinha, sem se aborrecer ele se conservara de pé, a procurá-la. Já era meio-dia, os homens estavam observando, e cheios de admiração diziam uns aos outros: Sócrates desde a madrugada está de pé ocupado em suas reflexões! Por fim, alguns dos jônicos, quando já era de tarde, depois de terem jantado - pois era então o estio (verão) - trouxeram para fora os seus leitos e ao mesmo tempo que iam dormir na fresca, observavam-no a ver se também a noite ele passaria de pé. E ele ficou de pé, até que veio a aurora e o sol se ergueu; a seguir foi embora, depois de fazer uma prece ao sol. Se quereis saber nos combates - pois isto é bem justo que se lhe leve em conta - quando se deu a batalha pela qual chegaram mesmo a me condecorar os generais, nenhum outro homem me salvou senão este, que não quis abandonar-me ferido, e até minhas armas salvou comigo. Eu então, ó Sócrates, insisti com os generais para que te conferissem essa honra, e isso não vais me censurar nem irás dizer que estou falseando; todavia, quando já os generais consideravam minha posição e desejavam conceder-me a insigne honra, tu mesmo foste mais solícito que os generais para que fosse eu e não tu que a recebesse. E também, ó senhores, valia a pena observar Sócrates, quando (em 424 a.C., na batalha) de Délio batia em retirada o exército; por acaso fiquei ao seu lado, a cavalo, enquanto ele ia com suas armas de hoplita. Ora, ele se retirava, quando já tinham debandado os nossos homens, ao lado de Laques: acerco-me deles e logo que os veja exorto-os à coragem, dizendo-lhes que os não abandonaria. Foi aí que, melhor que em Potidéia, eu observei Sócrates - pois o meu perigo era menor, por estar eu a cavalo - primeiramente quanto ele superava a Laques, em domínio de si; e depois, parecia-me, ó Aristófanes, segundo aquela tua expressão, que também lá como aqui ele se locomovia “impondo-se e olhando de través”, calmamente examinando de um lado e de outro os amigos e os inimigos, deixando bem claro a todos, mesma a distância, que se alguém tocasse nesse homem, bem vigorosamente ele se defenderia. Eis por que com segurança se retirava, ele e o seu companheiro; pois quase que, nos que assim se comportam na guerra, nem se toca, mas é aos que fogem em desordem que se persegue.

Muitas outras virtudes certamente poderia alguém louvar em Sócrates, e admiráveis; todavia, das demais atividades, talvez também a respeito de alguns outros se pudesse dizer outro tanto; o fato porém de a nenhum homem assemelhar-se ele, antigo ou moderno, eis o que é digno de toda admiração. Com efeito, qual foi Aquiles, tal poder-se-ia imaginar Brasidas e outros, e inversamente, qual foi Péricles, tal Nestor e Antenor - sem falar de outros - e todos os demais por esses exemplos se poderia comparar; o que porém é este homem aqui, o que há de desconcertante em sua pessoa e em suas palavras, nem de perto se poderia encontrar um semelhante, quer se procure entre os modernos, quer entre os antigos, a não ser que se lhe faça a comparação com os que eu estou dizendo, não com nenhum homem, mas com os silenos e os sátiros, e não só de sua pessoa como de suas palavras.

Na verdade, foi este sem dúvida um ponto em que em minhas palavras eu deixei passar, que também os seus discursos são muito semelhantes aos silenos que se entreabrem. A quem quisesse ouvir os discursos de Sócrates pareceriam eles inteiramente ridículos à primeira vez: tais são os nomes e frases de que por fora se revestem eles, como de uma pele de sátiro insolente! Pois ele fala de bestas de carga, de ferreiros, de sapateiros, de correeiros (curtidores), e sempre parece com as mesmas palavras dizer as mesmas coisas, a ponto de qualquer inexperiente ou imbecil zombar de seus discursos. Quem porém os viu entreabrir-se e em seu interior penetra, primeiramente descobrirá que, no fundo, são os únicos que têm inteligência, e depois, que são o quanto possível divinos, e os que o maior número contêm de imagens de virtude, e o mais possível se orientam, ou melhor, em tudo se orientam para o que convém ter em mira, quando se procura ser um distinto e honrado cidadão.

Eis aí, senhores, o que em Sócrates eu louvo; quanto ao que, pelo contrário, lhe recrimino, eu o pus de permeio e disse os insultos que me fez. E na verdade não foi só comigo que ele os fez, mas com Cármides, o filho de Glauco, com Eutidemo, de Díocles, e com muitíssimos outros, os quais ele engana fazendo-se de amoroso, enquanto é antes na posição de bem--amado que ele mesmo fica, em vez de amante."

 

 

Observações sobre Fedro (sobre O Belo)

 

 Este diálogo aborda uma ampla variedade de assuntos, entre eles: O desejo erótico, o desejo pelo bem universal, os estados alterados da mente (ou “loucuras”), a experiência transcendente ou mística, o conceito de daemons (semi-deuses, espíritos etc), o auto-controle, a força de vontade (parábola da biga ou parelha) e o conceito de hyper-ouranos (o além céus, reino dos deuses, do bem, da virtude). 

No início da história, o jovem Fedro (Phaedrus) e Sócrates estão caminhando pelo ermo, afastados da área urbana de Atenas. Ao pararem em um determinado ponto, Fedro lê um texto de Lísis sobre Eros (a paixão, o amor sensual) para Sócrates. 

Sócrates então faz um tipo de breve oração, pedindo para que as musas do local (espíritos, no caso, ninfas) o inspirem a trazer a sabedoria sobre o assunto em pauta. Após realizar o discurso sobre o tema, Sócrates muda de ideia e começa um novo discurso (desta vez, alegando que foi inspirado por seu espírito guia): 

…"Eu disse uma mentira ao afirmar que o amado deveria aceitar o não-amante quando poderia ter o amante, porque o primeiro é são e o segundo é louco. Poderia ser assim se a loucura (mania) fosse simplesmente um mal; mas há também uma loucura que é um dom divino e a fonte das maiores bênçãos concedidas aos homens. Pois a profecia é uma loucura, e a profetisa em Delfos e as sacerdotisas em Dodona, quando fora de seus sentidos, conferiram grandes benefícios à Hélade ("Grécia"), tanto na vida pública quanto privada, mas quando em seus sentidos (juízo) pouco ou nada conferiram. E também posso contar como a Sibila e outras pessoas inspiradas (em transes proféticos) deram a muitos uma insinuação (noção ou orientação) do futuro que os salvaram/ os levaram à felicidade, mas seria tedioso discursar o que todos sabem."

Neste trecho Sócrates explica que as profetizas (ou profetas) da cultura helênica de seu tempo (século 4 a.C.), ajudaram pessoas, ou a sociedade de modo geral, regularmente ou frequentemente. Entende-se que as profetizas da Grécia antiga e/ ou clássica, davam orientações ou insinuavam sobre um futuro próximo, dando aos seus "ouvintes", uma noção do que se fazer ou insinuavam o que estava prestes a acontecer em determinado momento. O filósofo destaca que as profetas faziam isto "fora de seus sentidos", tomadas por um tipo de "loucura" (mania), ou seja, em um estado alterado da mente. Sócrates continua:

"Haverá mais razão em apelar para os antigos inventores de nomes, que nunca teriam relacionado a profecia (mantike), que prediz o futuro e é a mais nobre das artes, com a loucura (manike)*, ou chamado ambas pelo mesmo nome, se tivessem considerado a loucura uma desgraça ou desonra;- eles devem ter pensado que havia uma loucura inspirada que era uma coisa nobre; pois as duas palavras, mantike e manike, são realmente as mesmas, e a letra t é apenas uma inserção atual e de mau gosto."

*As palavras mania, maníaco e manicômio têm a mesma origem das palavras mancia, ou mântica - Platão (e Sócrates) deixam claro que estas palavras referiam-se aos "estados alterados da mente", seja inspiração, êxtase, transe ou outro estado, podendo ou não, fazer contato com os "deuses" ou daemons/ espíritos de uma outra realidade. 

Sócrates considerou de mau gosto, a invenção da palavra mantike, separando-a de manike, porque não via isto como uma tentativa justa de explicar ou detalhar os estados alterados da mente, e sim, como uma tentativa de acusar certas práticas de "loucura" (inspiração, profecia, êxtase etc) no sentido pejorativo, tornando aceitável somente uma ou outra prática de adivinhação, de magia ou de profecia. Como exemplo disto, ele diz que algumas pessoas tentaram propagar a ideia de que só a adivinhação através do sacrifício animal (e "leitura" de suas entranhas) era válida. 

Hoje, neste início de século 21, entende-se que mania refere-se a um comportamento estranho, seja de repetição ou de obsessão, enfim, uma dificuldade psicológica. Já a palavra mancia, cada vez menos conhecida com o passar do tempo, refere-se à adivinhação e à magia. Na verdade tal entendimento destas duas palavras deve ser assim, no mínimo, desde a renascença (século 15) ou desde o iluminismo (séculos 17-18).

Ao invés de separar as práticas divinatórias, Sócrates indica que existe uma loucura erótica - a paixão pelos corpos, e portanto de teor mais sexual, e outra loucura inspirada pelos deuses (pelo divino, pelos bons espíritos etc). Esta última seria a mais bela, pois faria com que o indivíduo inspirado identificasse nas pessoas (como nos jovens, por exemplo) a beleza como um atributo divino, mas esta identificação poderia ser controlada com temperança, suprimindo os desejos sexuais em prol de uma relação mais mental, de amizade, de troca de ideias e geração de sabedoria/ conhecimento. Sócrates explica que isto pode ocorrer devido ao fato de, nós, seres humanos, termos uma força mais bruta e uma força mais pura em nossa psique (mente, alma), as quais ele compara com dois cavalos puxando uma biga. O cavalo mais bruto é típico da Terra, sendo voltado à selvageria, aos excessos e ao mau. Enquanto o cavalo mais puro é mais próximo da raça dos deuses, podendo alcançar os céus (o céu “além”, Hyper Ouranos, possivelmente o Aether da mitologia/ dos mitos) através da justiça e da temperança (do bem), ou seja, é a força capaz de fazer o ser humano acessar a morada dos deuses. Cabe ao ser humano, sendo o “condutor da biga” (de sua alma), escolher o bem ao invés do mal. 

 


 Durante a explicação, Sócrates mostra uma cosmogonia diferente da apresentada na mitologia popular da Grécia dominante até a época dos filósofos pré-socráticos. Possivelmente isto explica o “mundo das ideias” (de eidos) que não é exclusivamente da mente individual abstrata - é também uma realidade espiritual acessada não só pela psique (alma/ mente), mas pelos espíritos/ gênios, semi-deuses etc (originalmente daemons na língua grega). 

Possivelmente a palavra ídolo vem eidolon, que por sua vez é oriunda de eidos. Isto explicaria o porque afirmar que xamãs de determinadas culturas tinham esculturas de um "ídolo". O "ídolo" do xamã (ou de outro "praticante de magia") se refere a um ser espiritual invocado ou contatado pelo mesmo através de um estado alterado da mente. Este estado alterado da mente seria chamado de manike (mania) na "Grécia" antes da época de Sócrates, porém já durante sua vida, tal estado passou a ser separado entre manike (mania) e mantike (mancia), como explicado anteriormente.

Sócrates afirma que a alma é imortal devido ao fato de estar sempre em movimento (até mesmo no sono há atividade, sendo os sonhos um sinal disto), não tendo um repouso como o corpo tem. E continua a explicação cosmogônica para falar da alma: 

“Passaremos agora a examinar a causa da alma perder suas asas. É algo aproximadamente como segue: A função natural das asas é se erguerem para o alto carregando o que é pesado ao lugar onde a raça dos deuses habita. Mais do que qualquer outra coisa que pertence ao corpo, elas participam da natureza do divino. O divino encerra beleza, sabedoria, bondade e todas as demais qualidades a essas semelhantes. São essas qualidades que nutrem e fazem crescer as asas da alma, enquanto as opostas, como a vileza e o vício, fazem-nas encolher e desaparecer. Bem, o grande condutor (de biga, guia) no céu, Zeus que conduz uma biga alada, se move na dianteira, organizando todas as coisas cuidando de tudo. É seguido por um exército de deuses e daemons (espíritos) dispostos em onze seções. Somente Héstia (deusa olímpica do lar e do fogo doméstico) permanece na morada dos deuses.Todo o resto dos grandes 12 deuses ficam em formação na posição de comandantes tendo um posto destinado no “exército”. Há muitas vistas abençoadas e muitos caminhos aqui e ali no céu pelos quais a raça afortunada dos deuses transita cumprindo suas próprias obrigações, enquanto quem o quer e tem capacidade para isso o segue, pois não há lugar para malevolência no coro dos deuses.” Sócrates segue explicando que os deuses seguem para além do topo dos céus, na parte externa, pois seus cavalos são todos mais puros e suas asas os elevam para o alto muito distante de onde a maioria dos seres humanos conseguem alcançar. Assim, os vários seres humanos (as almas destes) que conseguem acompanhar melhor um deus e que se assemelha maximamente a ele, ergue a cabeça de seu auriga para a região exterior e é arrebatada pelo movimento circular (dos deuses, “além do céu”), mas perturbada pelos cavalos, contempla precariamente a realidade (em grego: “onta”, que significa O ser, o que realmente é, não o que é captado pelos sentidos). 

Porém os que sucumbiram aos seus respectivos cavalos mais brutos/ impuros, se amontoam tentando subir aos céus sem sucesso, pisoteando uns aos outros e caindo na Terra."

Em outros trechos, Platão mostra como Sócrates explica a ligação dos deuses, da justiça e as outras virtudes com a visão: 

(…) "A justiça e o autocontrole não irradiam luz por meio de suas imagens aqui (na Terra), nem o fazem os demais objetos pelos quais tem apreço a alma. Somente uns poucos indivíduos, se aproximando das imagens por meio dos imprecisos órgãos dos sentidos, com dificuldade nelas entreveem a natureza daquilo que imitam. Naquela ocasião anterior, contudo, eles viram a beleza fulgurante, quando junto aos abençoados, seguindo nós (possivelmente os filósofos) no coro de Zeus”.

(…) "A Beleza, como eu disse antes, resplandecia entre aquelas aparições, e desde que descemos aqui (encarnamos na Terra) vemo-la irradiando através do mais claro de nossos sentidos; de fato, a visão é o mais agudo dos sentidos corpóreos, ainda que a sabedoria (phrónesis) não seja vista através dela”... A pessoa que foi “iniciada” (o amante da sabedoria / o filósofo que utiliza sua memória corretamente), ao ver a verdadeira beleza, a reverência, não querendo mais se separar dela. Este seria o amor, cujo os deuses chamam de “o alado”. 

Mais do que mera figura de linguagem, nota-se que pelos temas abordados neste diálogo, a luz, ou fulgor das virtudes como a justiça, percebida entre "os abençoados" e/ ou no "hiper-ouranos" relaciona-se com as visões extáticas e com casos de "experiência de quase morte", onde os indivíduos tipicamente alegam ver seres envoltos por luz, seres de luz ou simplesmente alegam ver uma luz (além da escuridão, ou após a escuridão etc).

Depois de discursar sobre a alma, Sócrates diz que é necessário analisar as palavras proferidas pelos sábios (ou, talvez, por aqueles tidos como sábios). De certo modo, foi o que ele fez após ser inspirado pelas ninfas no início do diálogo: reconsiderou o discurso feito sob a suposta inspiração de tais daemons ou espíritos e passou a emitir uma opinião orientada ou inspirada por seu "daemon guardião" (algum tipo de espírito guia ou anjo da guarda de Sócrates).

Sobre a amizade, tema já abordado no diálogo com Lisis (por quem Fedro tinha admiração) Sócrates diz: "Os amigos têm tudo em comum."

Após isso, Sócrates mostra que é possível causar estrago/ propagar o mal através da ignorância, mas que é ainda mais perigoso fazer tais coisas com conhecimento. 

A partir deste diálogo é possível entender que o que é realmente belo, é o bem, os deuses, que são virtuosos e seu “mundo” ou “reino”: o "além céus". Assim, praticar o bem e ser psiquicamente virtuoso (mentalmente e espiritualmente), é ser belo.

No final do diálogo, antes de deixar os campos e voltar à cidade de Atenas, Sócrates faz uma oração que mostra sua espiritualidade indissociável da filosofia registrada por Platão: "Oh querido Pan e todos os outros deuses deste lugar, que me concedas ser bonito por dentro. Que todos os meus bens externos estejam em amistosa harmonia com o que tenho dentro. Posso considerar o homem sábio, rico. Quanto ao ouro, deixe-me ter tanto quanto um homem moderado possa suportar e carregar com ele."

 

 

Breves observações sobre Lísis (Da Amizade)

Lísis é tido como um texto da fase inicial de Platão, quando Sócrates ainda era vivo. 

Ao iniciar um diálogo com Sócrates, Hipotalés acaba mostrando que está apaixonado por Lisis. Sócrates recomenda ao jovem para que não encha Lisis de elogios, pois isto deve incitar a vaidade no alvo de sua paixão. A pessoa tomada por vaidade dificilmente cede às investidas do apaixonado. Após esta recomendação, ambos vão de encontro a Lisis e Menexeno e Sócrates começa a puxar conversa com os dois. Sócrates diz então que não deve perguntar quais dos dois é mais rico, pois tudo é comum entre os amigos verdadeiros. Ambos concordam, mas Menexeno sai brevemente de cena. O filósofo então, segue perguntando à Lisis sobre seu relacionamento com pais e professores e sobre o que ele pode fazer e o que ele não pode. Ambos concluem que Lisis só pode fazer o que os outros determinam ou permitem que ele faça. Os relacionamentos de Lisis então, parecem regidos por interesses e não por amor, mas enquanto Lisis tiver um mestre (e ele tem vários: os pais e os professores) seu entendimento será insuficientemente capacitado. Assim Sócrates mostra à Hipotalés, que não deve-se bajular a pessoa por quem se tem interesse ou por quem se está apaixonado. 

Após Menexeno voltar à cena, Lisis pede para que Sócrates explique sobre o que conversaram. Ao invés disso, Sócrates diz que muitas pessoas desejam possuir alguma coisa (bens materiais, status), mas ele não quer nada disso. Ele diz que deseja amizade (filia), mostrando-se interessado pela amizade com certa admiração e questiona seus interlocutores sobre o assunto. 

Sócrates conduz a conversa propondo alguns tipos de amizades: 

 Amizade entre pessoas semelhantes, possivelmente entre homens de bem. 

Amizade entre homens que são diferentes, possivelmente devido a interesses. 

Amizade entre homens que não são nem bons nem maus e homens bons. 

De todas essas opções, Sócrates pensa que a única possibilidade lógica é a amizade entre homens bons e homens que não são nem bons nem maus. No final, Sócrates parece descartar todas essas ideias como erradas, embora suas refutações tenham fortes indícios de ironia sobre elas.

 

Expressões

Esta é uma tentativa de anotar o que é importante para mim. Escrevi muitos textos expondo ideias de maneira predominantemente racional, entã...